''O plano da noite não era gozar. Era se conhecer. Mapear as sensações, fazer arte, trançar temperamentos, contagiar perfumes, não corresponder às expectativas, que nunca se concretizam de toda forma, num primeiro encontro. Olhos nos olhos, sem desviar, sem rir, sem compreender, sem querer, sem agredir, sem fazer moralismos. Era como uma dança hinduísta e contracultural, sem roupas, um aquecimento de pele, friccionando pedaços inusitados do seu corpo em partes esquisitas do meu. Sua coxa foi parar na minha cara, você beijou minha canela, eu lambi seu dorso, você esfregou os peitos no meu umbigo, eu cheirei seu joelho, você mordeu minha bunda, eu beijei os seus olhos.
Minha cara dizia tudo. Estava diante da última tecnologia no campo das ligações pessoais. Eu estava experimentando uma coisa que a maioria não tem nem ideia que existe. Num impulso ela pulou de volta, montando no meu corpo na horizontal, mole e nulo e inerte, totalmente sem gozar concretamente. Me encheu de pequenos beijinhos ininterruptos falando “Isso foi estranho, não foi?” Poxa, se foi. “Você não imagina o que sou capaz de fazer com o primeiro cara que me pedir em namoro”. E foi nessa hora que eu a convidei para morar comigo.''
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